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sábado, maio 22

Centralizando

Venho aqui hoje pra comunicar aos leitores que estarei "centralizando" as minhas produções, ou seja, tudo voltará a fazer parte de um único blog, o "De mim" que foi de onde nasceu o "Quem conta seus males espanta" e sabe como é, o bom filho à casa torna, rs. 
Tomei esta decisão por achar que tenho postado muito pouco aqui, e gosto de mais frequência, centralizando é mais fácil. 
Espero que entendam e que visitem o "De mim". 
Beijos e obrigada por tudo!

sexta-feira, maio 21

Inversão

_ Olá - Ele disse.
_ Oi - Ela disse. 
Mas na verdade disseram quase ao mesmo tempo num misto de desespero, emoção e quem sabe medo daquele encontro. 
Ele nem imaginava que a veria assim, tão de repente e ela, imprudente, como sempre, se esqueceu que aquele era o caminho dele, só se lembrou num ponto que não tinha mais como correr, ele já havia apontado na esquina.
Ela não sabia o que fazer, tinha vontade de correr, mas a vontade na verdade era de pará-lo bem ali, sem se importar se ele estava ou não com pressa e tirar a limpo toda aquela história que a fez perder o sono da última semana, e pensando bem, talvez fosse do último mês. As coisas não deveriam ser assim, não eram para ser assim, ela não havia pensado desse jeito e não queria um ponto final, queria apenas trocar o sentido daquelas reticências que ele havia colocado naquilo. Disse oi e acelerou o passo, talvez não fosse a hora.
Ele não queria tê-la visto, seria tão melhor se ela não tivesse aparecido,  não que tivesse raiva, na verdade nem chegava perto disso, mas ela sumindo era simplesmente mais fácil de não lembrar, ou lembrar menos. Porque ela era perfeita para ele, ela era ele, como ele, para ele, mas não conseguia ser dele. E apesar de tudo ela ainda queria que ficasse tudo bem. Disse olá na esperança que ela parasse. Não parou. 
Ela saiu pensando em como a vida poderia ser assim, porque a final de contas o destino resolvera fazê-la passar por tudo o que já passou? mas dessa vez, os papéis estavam invertidos. Talvez fosse pra lhe mostrar o quanto são difíceis os dois lados da moeda.
Ele saiu com o coração sangrando na boca e a cabeça voando por ai onde não sabia.  Não olharia para trás.
Foram. 

domingo, maio 2

Selo!

Recebii o primeiro selo! PRÊMIO DARDOS
E quem me mandou foi o Joel Vieira do  Faces  (recomendo).
Poxa muito obrigada mesmo, adorei!

Vamos ao Selo
Prêmio dardos: Com o Prêmio Dardos se reconhece os valores que cada blogueiro mostra cada dia em seu empenho por transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais etc., que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras.E tem três regras.
 
Aqui vão as regras:
- Exibir a imagem do selo no blog.
- Exibir o link do blog que você recebeu a indicação.
- Escolher 10, 15 ou 30 blogs para dar indicação, e avisá-los.


Indico todos e espero que gostem! Até! 

sexta-feira, abril 23

"Que o vento, meu filho, quando passa pelas coisas tem o poder de desescrevê-las levando-as embora, como faz com as folhas no outono"

Emanuel José era seu nome, era esse também o nome do avô. Quando olhava para o espelho sentia vergonha, sabia que não era culpado, mas ainda assim sentia vergonha, mas hoje, hoje foi diferente.
Quando olhou no espelho, se lembrou do mané, que sentado em sua cadeira de fios com o cigarro de palha em mãos dizia calmo que as coisas ruins da vida eram como aquele cigarro, queimavam por algum tempo no coração da gente, mas depois viravam cinzas e eram varridas pelo vento. "Que o vento, meu filho, quando passa pelas coisas tem o poder de desescrevê-las levando-as embora, como faz com as folhas no outono" disse o mané na sua velha cadeira de fios. 
Era como se o avô soubesse de tudo, do maior e único segredo de Emanuel, aquele que não contara para ninguém jamais, mas que até então vivia dentro dele com  as janelas bem fechadas onde queimava insistentemente e não deixava, de forma alguma, o vento entrar.  Mas hoje era diferente, usaria de toda a sua força para finalmente abrir as janelas. 
Abriu a janela e decidiu que aquilo tudo pararia naquele instante de queimar; foi então que entrou o vento. E o vento desescreveu aquelas dores e medos do coração, calmo como a fala do avô, simples como caem as folhas adas árvores no outono. 
Não sofreria mais por aquilo que não procurou, pois para ele, que apesar de tudo conservara uma alma de menino, só merecia castigo quem havia feito alguém sofrer, ele não o fizera. 
Não deixaria mais, nunca mais, que o que aquele estranho fizera com o menino Emanuel no celeiro da fazenda de seus pais naquela noite estranha enquanto brincava de conversar com os pôneis que ganhara do avô deixasse o homem Emanuel José com vergonha de viver, logo ele que apesar de tudo tinha um coração tão cheio de inocências. 

terça-feira, abril 20

Redecorando

Sairam para as ruas, foram redecorar a vida que já estava um pouco amarelada. Então colocaram as fitas nos cabelos e sairam a cantar e tocar as flautas e flautins e dançavam também os neo-paisagistas. 
Mas aqueles que olhavam tudo por detrás dos vidros dos escritórios condevam aquela loucura, aquele "barulho" atrapalhava e todos tinham muito o que fazer. Proque todos têm sempre muito o que fazer, estão sempre ocupados de mais com em levar a vida, em sustentar a vida, em crescer na vida e se esquecem de viver a vida.

segunda-feira, março 8

E caminhava pela rua, e observava a própria sombra.
Sentia uma sensação estranha, não sabia explicar mais havia algo diferente. Viveria uma nova fase talvez. Era assim que acontecia, as novas condições lhe traziam sensações estranhas, logo se acostumaria.
O que era dessa vez? O que a menina sentia? 
Queria voar, e sentia que podia. Bastava se sentar em um canto com silêncio, vento no rosto, caneta e papel. Voaria.
Seria capaz então de descrever todos os lugares do mundo desde que tivesse papel e caneta, e claro, vento no rosto, mesmo que nunca tivesse conhecido o tal lugar, saberia, porque estava sobrevoando o mundo e atravéz de uma fina membrana poderia então tocar a vida. Saberia os seus limites; enquanto escrevesse saberia os seus finos e delicados limites. Se esforçando, quem sabe, chegaria em seu próprio limite, entre a sanidade e a loucura, o ápice de uma simetria perfeita entre verbos e rimas, teria nesse ponto tocado o tempo. Um pé cá, outro lá, entre a razão e o algo a mais que só quem já pode perdê-la sabe dizer.  
Então descobrira a sua nova condição, a menina agora era poeta.
Viu na própria sombra uma figura mística, rara e diferente. Que tinha os olhos cantantes, a fala doce, um coração que sangra, uma alma que chora e um todo que sente, mais do que tudo e em primeiro lugar sente, e sente com infinita delicadesa e ardência, porque toca a vida, por uma fina e resistente membrana que se chama amor. 

    

quinta-feira, fevereiro 25

Guardou os bons momentos, todos o que se lembrava desde que era capaz de lembrar, colocou-os em uma caixinha, depositou cuidadosamente na primeira gaveta do criado mudo. Ficaria tudo ali, colecionaria momentos bons.
Estava decidido, não seria médica, professora ou advogada, seria colecionadora de felicidades, buscaria pelo mundo momentos bons e os eternizaria, por menores que fossem as felicidadezinhas, não tinha importância se fossem da espessura de alfinetes ou da proporção de explosões nucleares, sentir o coração bater mais forte valeria tudo.
Não estava fugindo da realidade, estava apenas exigindo menos, exigiria menos de si, menos da vida e do resto do mundo e das coisas do mundo. Exigir menos faria do pouco o suficiente, o acaso traria o muito às vezes e seria bom também, guardaria tudo.
Ela só queria ser diferente, correr atraz do prêmio que todos correm era muito chato. Seu prêmio seria diferente, só queria encher uma caixa, a caixa da segunda gaveta do criado mudo de momentos bons, de pessoas boas, de abraços e sorrisos. 
Não se importaria mais com as expectativas, queria só felicidade pra caixinha. Depois de cheia, abriria a caixinha e espalharia os momentos por ai, daria sorrisos aos rostos tristes e depois de acabadas as lembranças felizes guardadas começaria tudo de novo, e de novo e de novo. A colecionadora de felicidades vagaria sempre pelo mundo até que fosse necesário um sucessor. E os colecionadores vagarão eternamente pelo mundo. Existirão sempre caixinhas pequenas e agitadas nas segundas gavetas dos criados mudos.  

domingo, fevereiro 14

O que fomos

Hoje me lembrei do que fomos um para o outro. Me lembrei do que você foi para mim. Me deu aquele aperto no coração, aquela vontade de chorar. Chorei, chorei por algum tempo enquanto devorava uma barra de chocolate. Você talvez se lembre de como sou chocólatra. 
O que foi que fizemos? Quando foi que esquecemos quem somos?
A noite está fria hoje, ideal para um filme de terror daqueles que eu e as meninas morriamos de medo de assistir mas acabavamos dando risada de tudo enquanto você super corajoso ficava morrendo de medo.
Ninguém mais está aqui. 
Sem filmes, sem você, sem ninguém, sozinha. 
Quando foi que nós esquecemos que antes de sermos namorados éramos amigos?
Eu te amava, ou melhor, amo, com todas as minhas forças e esse amor não depende de beijos na boca, só da tua presença, só de saber que eu posso contar com você sempre. 
Mas eu já não posso.
E quando eu te encontro por ai, e sou obrigada a receber aquele seu "oi" frio e por pura educação. Me dói. 
Me dói e eu fico pensando se você também se sente assim. 
Talvez não. Talvez só eu esteja me consumindo por essa amizade que acabou, afinal, você parece estar muito bem, está tão sorridente com as suas novas garotas.
Talvez eu tenha que esquecer agora, esquecer o que fomos, seguir em frente. Esquecer que você é tudo pra mim. 

quarta-feira, fevereiro 10

E-mails para Natasha

De Luiza para Natasha

23 de março de 2009 

"Oi Natii! 
Como você tá amiga? Espero que bem viu!
E as coisas por ai, como são?
To muito curiosa para saber como foi o seu primeiro dia de aula na escola nova! Deve ser o máximo conhecer gente nova né?
Haa e deixa eu te contar! O Rafael me falou que ficou super triste de você ter se mudado! Adorou né? Quando você vier para cá... HUUUUUM'
HAHAHAHAHA'
Haa e tem eu né! Morrendo de saudades de você, de todas as nossas brincadeiras, de todos os incontáveis momentos que a gente passou juntas em todos estes anos de amizade!
Foi fantástico te conhecer e ser sua amiga!
Te amooooooooooo!
E não esquece de mim hein! Beijoooooo!"

De Gabi para Natasha

23 de março de 2009

"Oi Nati!
Como está tudo? Chegou bem ai?
Talvez agora nem tenham instalado a sua internet ainda, mas não to conseguindo te ligar, deve ser porque mudando de estado muda de área tembém né?
Enfim, estou te escrevendo pra te dizer algumas coisas importantes que talvez nem conseguiria dizer por telefone, assim como não consegui te dizer pessoalmente.
Sabe, desejo que a sua nova vida seja maravilhosa, e que mesmo batendo aquela saudade que eu sei que bate, que você saiba que amigos a gente faz em qualquer lugar, especialmente você, com esse jeito único de ser, rapidinho vai estar cheia de novos amigos. Te desejo toda a sorte do mundo! 
E você sabe o que é toda a sorte do mundo? 
Toda a sorte do mundo é você encontrar alguém que seja como você foi para mim quando eu cheguei aqui! Alguém que te faça sorrir e que às vezes de faça até esquecer que você deixou um monte de gente que amava para traz, longe.. em outra cidade!
Quero te agradecer por tudo! Por tem sido minha amiga, por ter me ouvido quando eu precisei, por ter chorado junto comigo muitas vezes e por tantos momentos eternos que a gente viveu! 
Agora estamos nos separando, mas eu tenho certeza que isso não vai fazer a nossa amizade morrer, não mesmo, no meu coração você vai estar sempre perto!
Lembra aquela vez que você foi atropelada e eu senti lá em casa que você tava mal? Então, vai continuar sendo assim, para sempre! 
Eu te amo Nati! Manda notícias! (Haa eu sei que vai mandar né?)
Beijos!"

sexta-feira, fevereiro 5

Iguais

Ela sentia tanto. Sentia em quantidades, sentia em profundidades, sentia em larguras e em comprimentos. Ela o sentia por todas as dimensões. 
Desde o primeiro momento fora capaz de enxergá-lo. Nesse primeiro momento, não sabia quem era ele, mas sabia o que ele era. Ele era como ela, e nada garantia essa certeza, mas ela a tinha. 
Então o tempo foi se passando irregular quando se tratava dele, mas aos poucos ela foi descobrindo quem era ele. Confirmou que eles eram mesmo iguais. 
Ela o amou. Não por ele ser como ela, porque nem sempre ela se sentia feliz consigo mesma, mas sim por ele também reconhecê-la como afim. 
Ela sabia como era, descobriu quem era, e com isso descobriu também que era um erro ama-lo, não que amar seja errado em alguma cincunstancia, mas ela consederava que deveria evitar tudo o que a fizesse sofrer, ele a faria sofrer, não porque desejasse fazê-lo, mas por razões que ela compreendia perfeitamente, ela o compreendia perfeitamente. 
Mas já era fato consumado, em pouco tempo viriam as consequências. 
O tempo foi caminhando no mesmo descompassado ritmo mas as coisas aconteceram, e agora estavam juntos.
Estavam sentados no sofá da casa dele, assistindo um filme italiano, e ela sentia tanto. Sentia em quantidades, sentia em profundidades, sentia em larguras e em comprimentos. Ela o sentia por todas as dimensões. 
Sentia que ele a amava o quanto necessário. O necessário para estar ali com ela, o necessário para não deixá-la, o necessário para ligar algumas vezes no dia para saber como ela estava e só o necessário para ter medo dos estragos que provocaria a ela se partisse.
Ele tinha medo porque sabia que enquanto ele era capaz de ama-la apenas o necessário,  ela o amava imensidões, o amava profundidades, larguras e comprimentos; inquantificavelmente. 
Ele tinha medo porque sabia que enquanto acariciava os cabelos dela assistindo aquele filme italiano que ambos adoravam, ela chorava. 
Ela chorava porque sentia as diferenças.
E ele também chorava, chorava porque assim como ela sabia de tudo. Sabia o quanto a relação era injusta, e se achava injustiçado por seu coração que mesmo tendo pertinho outro coração alguém que era tão perfeito, não parava de bater por outro alguém, que há tempos já estava longe. 
Mas eles eram iguais, ambos choravam e colocavam a culpa no filme italiano. 

segunda-feira, fevereiro 1

É claro que ela não acreditava

É claro que ela não acreditava em amor a primeira vista, afinal, essas bobagens só acontecem em filmes, novelas ou coisas do tipo e além do mais, já não estava mais na idade dessas coisas.
Mas com aquele homem era diferente, era como se ele todo fosse um imã feito especialmente para ela. Tudo nele exercia uma atração daquelas que se chama de atração fatal.
Era mais que isso, mais que atração, ela negaria, mas os olhos daquele homem que ela nem sabia como se chamava fizeram com que ela o amasse ali, naquele instante.
Ela não sabia como ele era, se tinha algum defeito ou se tinha alguma qualidade, não sabia telefone ou endereço, a única coisa que sabia era que ele tinha uma conta bancária na mesma agência que ela, apenas isso.
Ela não acreditava em amor a primeira vista, mas na noite que seguiu a tarde em que se encontraram ela mal conseguiu dormir lembrando daqueles olhos.
É claro que ela não acreditava em destino, afinal, somos nós mesmos que fazemos o nosso caminho, e já havia esperado de mais por algum sinal, esperou tanto pelo destino que mesmo que ele fizesse caretas em sua frente não perceberia. Foi por isso que construiu a sua sorte e chegou onde chegou.
Mas um tempo depois, na mesma agência de banco, ele estava lá de novo, na sua frente esperando para falar com o gerente.
Ela ficou chocada, não podia ser verdade. Era. 
Ele viroude para ela e disse:
_ Oi, meu nome é Paulo.
Ela estremeceu, como assim aquela "coisa" estava fando com ela?
_ Oi, sou Lígia.
_ Acho que já nos vimos por aqui.
É lógico que já tinham se visto, ela se lembrava muito bem!
_ É, pode ser, eu estou sempre por aqui.
Pensou "E agora?"
_ Seria muito inconveniente pedir o seu telefone?
Ela não sabia como reagir, quer dizer que ele também a achava interessante?
_ Tudo bem, vou pegar meu cartão.
Ainda bem que na semana passada a empresa para que trabalhava lhe forneceu alguns desses cartões de contato, nunca acharia a caneta.
_ Por favor. Disse ele.
Ela lhe deu o catão, sorriu embasbacadamente e inventou que o horário de almoço estava acabando, se ficasse mais cinco minutos ali começaria a dar respostas incoerentes, não dava mais para esperar o gerente poder atender.
Se despediram casualmente e ela foi embora.
No mesmo dia a noite, ele ligou. 

sábado, janeiro 30

Estava tudo muito desgastado ali. A tinta das paredes já havia descascado, haviam teias de aranha pelos cantos e o café muito amargo.
Algo tinha perdido o sentido, a busca tinha terminado, tudo entre eles ficou finalmente perfeito e foi vivido até a última gota. Era hora de mudar, voltar a buscar. Era hora de encher o cantil.
Ambos eram muito sensíveis, mas ela foi a primeira a perceber. Foi então alerta-lo, sabia que ele teria que aceitar, mais cedo ou mais tarde, era uma decisão para dois, nada de metades. 
Pôs-se inteira no olhar mais verdadeiro, e foi contar-lhe as novas, dizer-lhe que estavam cumpridos.
No início ele discordou, mas analizou os fatos e acabou por concordar que estavam no final, as flores no jardim estavam mesmo murchando.
Despediram-se então, e é claro, não foi fácil, estas coisas pedem algumas lágrimas, mas sabiam que prorrogações seriam tentativas préviamente frustradas de tentar manter as mãos dadas enquanto a estrada pela qual caminhavam juntos bifurcava-se espontâneamente.
Desentrelaçaram-se as mãos. Seguiram sós novamente. 

segunda-feira, janeiro 25

O julgamento

Eles sabiam o que estavam fazendo. Dentro do seu intimo, todos eles sabiam o que estavam fazendo. Estavam decidindo cometer uma injustiça, estavam querendo julgar.
Mesmo que pelo decorrer de toda a história daquele laço forte e estreitamente amarrado de amizade que os cercavam eles tivessem pregado a liberdade e condenado a repressão estavam todos decidindo que era melhor julgar impiedosamente e talvez punir.
Um deles, já teve uma experiência, julgou e condenou, era mais seguro. Condenando aqueles com quem já compartilhou momentos decisivos da sua história era mais seguro, o protegia não só dos olhares alheios, o protegia também de si mesmo. Estava fazendo de novo, com mais tato desta vez, usando argumentos mais rápidos e eficases. 
Uma delas, fazia a mesma coisa que fez o primeiro, julgava e desejava, quem sabe, condenar por medo de si mesma. Mantia a sete chaves um segredo que sabia que já fora revelado e fingia ter esquecido para poder usar severidade e tratar implacavelmente do caso a fim de garantir-se afastada do seu "segredo". 
A outra hesitava, tinha medo de condená-la, pois sempre, sempre gritava a todos e a si mesma que todos tinham o direito de serem aquilo que desejavam ser e que não cabia a ninguém julgar. Mas ela própria tinha medo do julgamento, sabia que se eles mesmos não o fizessem junto com o resto do mundo, o resto do mundo se voltaria contra eles também, e ela tinha medo porque precisava ter consigo o resto do mundo, tinha medo da solidão. 
Uma terceira andava na corda bamba, assim como a segunda tinha medo do resto do mundo, mas não era tão inescrupulosa quanto a segunda, sentia muito, só ela poderia ajudar a segunda e elas ajudarem a todos. 
E então a culpada, que sentia-se livre e inocente como nunca. Livre porque finalmente havia libertado e gritado sua verdade aos quatro cantos de seu mundo, livre porque agora não precisaria mais fingir nada a ninguém, seria simplesmente o que era. Inocente porque aquilo afinal, não era crime algum, não feria ninguém, ou melhor dizendo, feria sim, feria aqueles que sentem-se ofendidos por haver alguém que vive a sua verdade tão descaradamente os deixando com água na boca. 

sexta-feira, janeiro 22

Enquanto olhava a paisagem morta da grande cidade Tereza chorava, era domingo e estava vazia e sozinha em seu apartamento.
Não tinha nada a fazer, não tinha companhia, não tinha, tudo lhe faltava.
Só tinha uma coisa a se agarrar; a saudade. 
Então era isso que Tereza fazia nos dias em que não tinha trabalho nenhum, agarrava-se com a saudade de um amor que a deixou, na saudade da família que sutilmente se afastou e a saudade dos amigos, que com tanta ausência de esqueceram dela. 
Tinha se descuidado, sabia disso, buscou tão intensamente o poder e o controle que sempre quis, que esqueceu-se que nada daquilo faria sentido se não tivesse com quem compartilhar. 
Ela conseguiu, conseguiu tudo o que queria, mas agora estava morrendo junto com a paisagem da grande cidade, morrendo como as flores que ganhou no último dia dos namorados que tinha alguém com quem compartilhar, as flores morreram por falta de água, o dia dos namorados a muito tempo secou. 
Chegou exatamente onde sonhou chegar, mas esquecia alguns aniversários ás vezes e mandava a secretária dizer que estava em reunião. Tantas e tantas reuniões em mesas compridas e retângulares cheias de pessoas sérias que nada lembravam as reuniões de Natal na casa dos pais, cheias de alegria e aconchego, mas agora eram só os rostos sérios e os Natais, bem, as companhias aéreas esgotam muito cedo as passagens nesta época. 
E para ficar onde estava, sempre levava trabalho para casa, não saia mais com aqueles que a conheciam tão bem e gostavam dela apesar de tudo, nunca mais as luzes da cidade e os bares de final de semana, trabalho... Trabalho. 
Então no domingo Tereza acordou, encostou-se na janela do apartamento e chorou por algum tempo.
Tomou um banho, colocou uma roupa qualquer e decidiu ir respirar um pouco de ar, ainda que sujo, da cidade. Caminhou por algumas ruas distraidamente reparando no movimento das pessoas e esqueceu, como era de costume esquecer, de reparar no movimento dos carros, ao atravessar a rua, naquele domingo vazio, a esquecida tereza não fez muita questão de agarrar-se a vida como agarrou-se naquela manhã à saudade. Entregou-se.

quarta-feira, janeiro 20

Ela deixou os chinelos na areia,

saiu correndo em direção ao mar. Não quis entrar, ficou apenas com os pés na água, parou pra olhar o horizonte.
Era uma mulher estressada, tinha toneladas de responsabilidades sobre suas costas, não dava a atenção que queria aos filhos, seu casamento há muito não era mais como ela sempre sonhou, mas naquele momento, só naquele momento, sentia-se mais feliz que nunca, a sensação de liberdade tomava conta de tudo, até sua respiração se dava livre, e o seu pensamento naquele momento era simplesmente uma cor. Ela pensava em azul, e o azul que estava na mente se juntou com o azul do mar que também já se juntara com o azul do céu. E ela ficou ali, por apenas alguns minutos, minutos esses tão intensos quanto uma eternidade.
Era tudo o que precisava para continuar, precisava apenas daqueles minutos para resolver tudo o que tinha que resolver, apenas daqueles minutos para mesmo com a cabeça estourando de dor, organizar um jogo na sala com os filhos e rir muito com eles, só aqueles minutos para ser mais tolerante com o marido e entender que o peso que ele carregava não era menor que o dela e ter esperanças para continuar a ama-lo.
Então ela suspirou leve, deu as costas para o tão azul, pegou seus chinelos e saiu caminhando. Entrou no carro, retomou conciência e foi pra casa se aprontar para mais uma reunião massante do trabalho.

domingo, janeiro 17

Fim

- Oi.
- Oi amor, não esperava por você agora, entra.
  Como foi o dia?
- Foi bom. Na verdade não muito, tenho pensado um pouco em umas coisas.
- Quer dividir?
- Na verdade eu preciso.
- Então me diga.
- Sabe, é tão difícil, dói tanto ter que dizer assim, eu me sinto mal, de verdade.
- O que aconteceu?
- Eu te trai.
- (...)
- Por favor, não chora assim.
- O que você acha que eu deveria fazer Fernando?
- Me bate, briga comigo, só não chora assim na minha frente, eu não mereço.
- Quando?
- Começou a um mês mais ou menos.
- Começou?
- É por isso que eu não mereço que você chore, eu não te trai Marília, eu estou te traindo, eu pensei muito, e eu acho que me apaixonei por ela, me pegou de surpresa e eu não sei como explicar. 
- Porque não me disse antes, porque me fez de boba este tempo todo?
- Eu estava confuso.
- Haaa você estava confuso? Eu achava que você não era tão egoísta assim! 
- Para de chorar.
- Me deixa! 
- Desculpe.
- Então é isso? Tudo isso de uma vez e você me pede desculpas? 
- Eu vou sair da sua vida, não se preocupe.
- Você não sabe o quanto isso dói, você não tem idéia do quanto eu te amo, da forma como eu apostei cada pensamento que eu tinha em você!
- Eu também te amo.
- Cala a boca! Isso é ridículo, não me ama! VOCÊ NÃO ME AMA! 
- Eu sei que não podia.
- Me abraça.
- Me perdoa minha flor. 
- E se eu disser que sim?
- Eu não sei.
- Você a ama?
- Não sei.
- Porque eu não consigo te mandar embora? Porque dói tanto te dizer o que eu deveria dizer?
- Eu vou embora.
- Quem é ela?
- Trabalha comigo.
- Como você pode?
- Eu não sei explicar, eu me sinto mal por você, mas não sei o que fazer.
- Tchau.
- Quer mesmo que eu vá?
- Não, mas você não tem o direito de me perguntar.
- Eu sei, me desculpe, não vou mais te procurar.
- Sai daqui e me deixe chorar sozinha, vai embora e eu quero que você se sinta muito mal por isso, quero que você saiba que está me fazendo sofrer. Logo eu que fiz tudo por você.
- Desculpe; tchau.

sexta-feira, janeiro 15

Fofoca encantada

Estes dias fiquei sabendo que algumas princesas andaram se reunindo para tomar um chá e fofocar os babados dos seus reinos e eu não fui convidada!  
A reuniãozinha foi na casa da Cinderela, aquela mesma do sapatinho de cristal, mas sabe o que eu fiquei sabendo? anda meia indisposta, não consegue andar muito. Dizem que é por que o seu marido, um dos Príncipes Encantados que ninguém sabe o nome é meio que tarado pelo famoso sapatinho de cristal, mas os pés dela cresceram e como ele sempre pede para que ela coloque o tal sapato os pés dela estão cheios de feridas, a coitada fica mesmo sentada, evita andar muito. 
A Branca de neve estava no chá, disseram que ela cresceu muito, para os lados é claro. Está enorme de gorda, também, com essa mania de sair comendo tudo quanto é maçã que vê pela frente! 
Bela Adormecida estava lá também, não que ela seja uma convidada relevante, porque bem, ela tem essa de dormir de repente, inclusive dizem que é por causa desse probleminha que o Principe Encantado dela pediu o divórcio, uma pena. 
A Bela da Fera também foi convidada, dizem que ela foi a mais sortuda, a Fera era mesmo uma coisa que sinceramente "Hôô lá em casa", ela é que tá um pouco acabadinha né, sabe como é, o tempo passa, as primeiras rugas aparecem, as primeiras plásticas também. Pena que nem todos os cirurgiões são lá aquelas coisas, e acabaram por deixar a boca dela meia torta e a somprancelha erguida de mais. Ela fica o tempo todo com cara de quem tá perguntando "Hãn?".
Até a doida da Jasmim e a Ariel que tem aquele monte de escamas foram chamadas acreditam?
Pelo que eu soube, a Jasmim passou por maus pedaços anos passado. Pegou o galinha do Aladim com outra na cama deles! Deu uns tapas na vagabunda e dizem que até hoje ele dorme no sofá.
Já a Pequena Sereia tá na mesma, pequena. Acho que o nome do problema dela é nanismo, não cresceu grandes coisas.
Agora o que mais me irrita é o fato de que como assim ninguém me chamou? Só porque a minha fama não anda lá essas coisas por eu estar dando umas voltinhas na garupa de uns lobos por ai? Mas e dai? São todos meus amigos e eu não estou traindo o movimento, as pessoas mudam! (E dá para perceber só de olhar para elas!)
De qualquer forma, eu também não ligo muito, pelo menos o meu final feliz está bem mais feliz do que o delas! Beijos e me telefonem gatinhos!

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segunda-feira, janeiro 11

Uma chance

Ela sabia que não podia machuca-lo, não tinha esse direito, mas sabia também que era totalmente capaz de fazê-lo.
Se sentia a pior das criaturas por essa constatação, mas pelo menos consigo mesma deveria ser verdadeira, tinha que assumir que desde o começo, desde o momento em que aceitou o pedido de namoro daquele, que antes de qualquer coisa, era seu melhor amigo, sabia que era capaz de abandona-lo a qualquer momento se aquele, que acreditava ser quem realmente amava, lhe desse uma chance. 
Era feio, era cruel, ela ia perder sua amizade mais sólida, mas era capaz de arriscar, tinha que arriscar, porque havia esperado muito por aquele homem, não podia deixa-lo escapar agora que ele havia batido em sua porta. 
Mas vinha o sentimento de culpa, o nojo de si mesma, porque o seu melhor amigo a amava de uma forma tão absoluta que doia de ver o brilho nos olhos dele quando estavam juntos. Ela não queria perde-lo, mas sabia que isso iria acontecer, pois depois que eles terminassem sem a explicação que ela deveria dar, era inevitável que ele descobrisse qual tinha sido o motivo, eles tinham o mesmo circulo de amizades e mais cedo ou mais tarde ele descobriria que foi usado, descobriria que aquela em que depositou o seu amor mais sincero havia o usado para satisfazer as suas carências nojentas e não morrer de amor por outro. 
Ela iria sofrer também, talvez mais do que ele, mas não tinha outro jeito, tinha que se dar aquela chance, precisava daquilo, tinha que tentar ser feliz.

sábado, janeiro 9

Menina senhora

Colocava as contas no colar como se cada uma delas fosse uma felicidade da vida. Sentada na poltrona que fora do avô confeccionava um colar todo de felicidades.
A primeira conta era infância e sorrisos gratuitos. A segunda conta era o primeiro amor, inocência e beijo desajeitado. A terceira era juventude, abraço no mundo, olhos que enxergam horizontes. E assim por diante...
A menina que é senhora de alma sabia de tudo, entendia de mais do que se tratava a vida, e confeccionou o colar de felicidades para dar de presente a um desconhecido qualquer, o diria que aquele colar era um amuleto, ele poderia usar como máscara de camaleão e se misturar a paisagem quando a dor e a tristesa passasem perto.
A menina senhora sabia da felicidade e sabia das tristesas, e mesmo sem muitas vezes tê-las sentido na pele, conhecia tudo a fundo, a menina senhora tinha um dom de sensibilidade.
Queria que todos pudessem sentir as energias do mundo também, queria que todos pudessem ver o quanto tudo tinha cores e formatos tão variados, queria emprestar o seu caleidoscópio que tinha espelhinhos de emoção dentro, mas não era possível.
Então todas as tardes a menina senhora sentava-se na velha poltrona reclinável que fora de seu avô e fazia seus colares de contas encantadas, e enquanto os confeccionava repetia sempre a mesma frase - "Sim, eu acredito".

sábado, dezembro 26

A Estrela [Parte 4]

Com seu regresso como atriz consagrada na Itália, os convites não pararam de chegar, mas ela recusou todos.
Sentia-se muito mal, seus pais eram tudo o que ela tinha de concreto na vida, e ela os tinha perdido.
Depois de tudo acertado, ela não sabia o que fazer, se voltava para a Europa ou se ficava no Brasil, voltava para sua antiga casa e retomava sua carreira aqui.
Decidiu ficar, mas não retomou a carreira.
A estrela estava triste de mais para poder brilhar, ela simplesmente não conseguia.
Louise entregou-se ao álcool, passava dias e dias bêbada. Hilda e Marcelo ficavam preocupados, ofereciam ajuda, mas Louise não queria ajuda, estava mal e estava feliz com isso, achava-se merecedora de seu sofrimento, além do mais o álcool era a única coisa que podia fazer com que os pensamentos corrosivos das brigas com os pais saissem um pouco de sua cabeça.
Hilda tantava lhe convencer de que nada daquilo tinha importância, e que ela fez o que fez porque precisava alcançar o que sempre quisera para a vida e que seus pais é que não tinham a mente aberta como elas tinham e que aquelas brigas eram normais, nada de mais. Mas tudo foi inútil, Louise se sentia casa vez mais mal, sua alegria e otimismo persistentes de outrora transformaram-se em pura angustia.  
Alguns meses se passaram e Louise teve uma pneumunia, não fez o tratamento que devia e seu quadro se agravou.
Em Julho de 1950 o brilho da estrela se apagou para sempre.